terça-feira, 12 de novembro de 2013

ARCADISMO- parte I



O Arcadismo
Objetivo: esta lição mostrará detalhe sobre o estilo literário: arcadismo. Como surgiu, quais foram os seus principais autores e escritores. Que ideologias foram as bases para esse movimento e como ele repercutiu na sociedade da época. Como foi a sua atuação em Portugal.

ARCADISMO
O Arcadismo, ou Setecentismo (anos 1700) ou Neoclassicismo é o período que  caracteriza principalmente a Segunda metade do século XVIII,porque o espírito reformista envolve este século numa valorização antropocêntrica, de um saber racional que reflete o desenvolvimento tecnológico, industrial, social e científico. Vive-se, agora, o Século das Luzes, o iluminismo burguês que prepara o caminho para a Revolução Francesa.
No início do século XVIII ocorre a decadência do pensamento barroco, para a qual colaboraram vários fatores: o exagero da expressão barroca havia cansado o público, e a chamada arte cortesã, que se desenvolvera desde a Renascença, atinge em meados do século um estágio estacionário e mesmo decadente, perdendo terreno para o subjetivismo burguês; o problema da ascensão burguesa supera a questão religiosa; surgem as primeiras arcádias, que procuram a pureza e a simplicidade das formas clássicas; no combate ao poder monárquico, os burgueses cultuam o "bom selvagem", em oposição ao homem corrompido pela sociedade do Ancien Régime ( o velho regime monárquico). Como se observa, a burguesia atinge a  hegemonia econômica e passa a lutar pelo poder político, então em mãos da monarquia. Isso se reflete claramente no campo social e artístico: a antiga arte cerimonial cortesã dá lugar ao gosto burguês.
O Arcadismo tem espírito nitidamente reformista, pretendendo reformular o ensino, os hábitos, as atitudes sociais, uma vez que é a manifestação artística de um novo tempo e de uma nova ideologia. No século XVIII a influência sobre Portugal vem da França devido a emancipação política da burguesia. Essa mesma burguesia é responsável pelo desenvolvimento do comércio e da indústria e já assistia a algumas vitórias na Inglaterra e Estados Unidos. Na França, a partir de 1750, os filósofos atacam o poder real e clerical e denunciam a corrupção dos costumes com grande violência.
Em Portugal, o Arcadismo estende-se desde 1756, com a fundação da Arcádia Lusitana, até 1825, com a publicação do poema "Camões", de Almeida Garret, considerado o marco inicial do Romantismo português.
No Brasil, considera-se como data inicial do Arcadismo o ano 1768, em que ocorrem dois fatos marcantes: a fundação da Arcádia Ultramarina, em Vila Rica, e a publicação de Obras, de Cláudio Manuel da Costa. A Escola Setecentista desenvolve-se até 1808, com a chegada da Família Real ao Rio de Janeiro, a qual, com suas medidas político-administrativas, permite a introdução do pensamento pré-romântico no Brasil. 

- CONTEXTO HISTÓRICO-CULTURAL 


No século XVIII, o fortalecimento político da burguesia e o aparecimento dos filósofos iluministas formam um novo quadro sociopolítico-cultural, que necessita de outras fórmulas de expressão.
Combate-se a mentalidade religiosa criada pela Contra-Reforma, nega-se a educação jesuítica praticada nas escolas, valoriza-se o estudo científico e as atividades humanas, num verdadeiro retorno à cultura renascentista. A literatura tem por objetivo restaurar o equilíbrio por meio da razão.
Em meados do século XVIII surge na Inglaterra e na França uma burguesia que passa a dominar economicamente o Estado, através de um vasto comércio ultramarino e da multiplicação de estabelecimentos bancários, assenhoreando-se mesmo de uma parte da agricultura. Em toda a Europa tais circunstâncias são semelhantes, e as influências do pensamento burguês se alastram. Nesse momento, geram-se duas manifestações distintas, mas que se completam.
O momento poético nasce de um encontro, com a natureza e os afetos comuns do homem, refletidos através da tradição clássica e de formas bem definidas, julgadas dignas de imitação  (Arcadismo); e o momento poético ideológico, que se impõe no meio do século, e traduz a crítica da burguesia culta aos abusos da nobreza e do clero.
Em 1748, Montesquieu publica O espírito das leis, obra na qual propõe a divisão do governo em três poderes ( Executivo, legislativo e Judiciário). Voltaire, como Montesquieu, relacionado com a alta burguesia, defende uma monarquia esclarecida. Em 1851, dirigido por Diderot e D'Alembert, aparece o Discours préliminaires de l'encyclopédie, cultuando a razão, o progresso e as ciências. Importante papel desempenhou Jean-Jacques Rousseau (O contrato social; Emílio), defensor de uma governo burguês e do ideal de "bom selvagem"o homem nasce bom, a sociedade é que o corrompe"; portanto, o homem deveria voltar-se para o refúgio da natureza pura). É dentro desse quadro que se desenvolve o Iluminismo europeu, transformando o século XVIII no Século das Luzes, que resulta no despotismo esclarecido, governo forte dando segurança ao capitalismo mercantil da burguesia e preparando terreno para a Revolução Francesa.
A influência neoclássica penetrou em todos os setores da vida artística européia, no século XVIII.
Na Itália essa influência assumiu feição particular. Conhecida como Arcadismo, inspirava-se na lendária região da Grécia antiga. Segundo a lenda, a Arcádia era dominada pelo deus Pan e habitada por pastores que, vivendo de modo simples, e espontâneo, se divertiam cantando, fazendo disputas poéticas e celebrando o amor e o prazer. 
Os italianos, procurando imitar a lenda grega, criaram a Arcádia em 1690 - uma academia literária que reunia os escritores com a finalidade de combater o Barroso e difundir os ideais neoclássicos. Para serem coerentes com certos princípios, como simplicidade e igualdade, os cultos literários árcades usavam roupas e pseudônimos de pastores gregos e reuniam-se em parques e jardins para gozar a vida natural.
No Brasil e em Portugal, a experiência neoclássica na literatura se deu em torno dos modelos do Arcadismo italiano, com a fundação de academias literárias, simulação pastoral, ambiente campestre, etc.
Esses ideais de vida simples e natural vêm ao encontro dos anseios de um novo público consumidor em formação, a burguesia, que historicamente lutava pelo poder e denunciava a vida luxuosa da nobreza nas cortes.

- EXPRESSÃO ARTÍSTICA DA BURGUESIA


Foi  nesse contexto de fermentação filosófica e lutas políticas que surgiu o Arcadismo, voltado para um novo público consumidor, formado pela burguesia e pela classe média. Como expressão artística dessas camadas sociais, o Arcadismo identifica-se com as idéias da Ilustração e veicula-as sob a forma de valores que se opõem ao tipo de vida levado pelas cortes aristocráticas e à arte que consumiam, o Barroco.
Daí a idealização da vida natural, em oposição à vida urbana; a humildade, em oposição aos gastos exorbitantes da nobreza; o racionalismo, em  oposição à fé; a linguagem simples e direta, em oposição à linguagem rebuscada do Barroco. Esses valores artísticos e culturais assumiram, no contexto da sociedade européia do século XVIII, um significado de clara contestação política, já que flagravam os privilégios da nobreza e do clero e propunham uma sociedade mais justa, racional e livre.
O Arcadismo pode ser visto, sob o ponto de vista ideológico, como um arte revolucionária. Contudo, do ponto de vista estético, é uma arte conservadora, pois ainda se liga à tradição clássica, tanto tempo cultivada pelas cortes aristocráticas.

- CARACTERÍSTICAS DO MOVIMENTO LITERÁRIO

A linguagem árcade é a expressão das idéias e dos sentimentos do artista do século XVIII. Seus temas e sua construção procuram adequar-se à nova realidade social vivida pela classe que a produzia e a consumia: a burguesia.
Outras características da linguagem árcade que merecem destaque:
Características
- Arte ligada ao Iluminismo. Oposição ao absolutismo despótico e ao poder (barroco) da Igreja.
-  Afirmação orgulhosa da racionalidade. Razão = Verdade = Simplicidade e clareza.
Culto da simplicidade. Como se atinge a mesma? Através da imitação (não no sentido de cópia, mas no de seguir modelos já estabelecidos).
- Imitação dos clássicos gregos. Em especial, Virgílio e Teócrito, clássicos pastoris.
- Imitação da natureza campestre, isto é, da ordem e do equilíbrio que essa natureza apresenta, o que dá a mesma um caráter de paraíso perdido. Dois elementos decorrem da aproximação do árcade da natureza campestre: 
- Bucolismo: adequação do homem à harmonia e serenidade da natureza.
- Pastoralismo: celebração da vida pastoril, vista como um eterno idílio entre pastores e pastoras.
- Ausência de subjetividade. O autor não expressa o seu próprio eu, adota uma forma pastoril ( era comum os escritores usarem pseudônimos em seus poemas,sonetos e obras, como exemplo: Cláudio Manuel da Costa é Glauceste Satúrnio, Tomás Antônio Gonzaga é Dirceu, Basílio da Gama é Termindo Sipílio,) 
- Amor galante. O amor é entendido como um conjunto de fórmulas convencionais.
fugere urbem ( fuga da cidade): influenciados pelo poeta latino Horácio, os árcades defendiam o bucolismo  como ideal de vida, isto é, uma vida simples e natural, junto ao campo, distante dos centros urbanos. Tal princípio era reforçado pelo pensamento do filósofo francês Jean Jacques Rousseau, segundo o qual a civilização corrompe os costumes do homem, que nasce naturalmente bom.

aurea mediocritas ( vida medíocre materialmente mais rica em realizações espirituais): A idealização de uma vida pobre e feliz no campo, em oposição à vida luxuosa e triste na cidade. Nestes versos de Tomás Antônio Gonzaga, por exemplo, são exaltados o trabalho manual e o sentimento, em oposição ao artificialismo e às facilidades da vida urbana:
Se não tivermos lãs e peles finas,
Podem mui bem cobrir as carnes nossas
As peles dos cordeiros mal curtidas,
E os panos feitos com as lãs mais grossas.
Mas ao menos será o teu vestido
Por mãos de amor, por minhas mãos cosido.
Idéias iluministas: como expressão artística da burguesia, o Arcadismo direciona certos ideais políticos e ideológicos dessa classe, no caso, ideais do Iluminismo. Os iluministas foram pensadores que defenderam o uso da razão, em contraposição à fé cristã, e combateram o Absolutismo.
Convencionalismo amoroso: na poesia árcade, as situações são artificiais; não é o próprio poeta quem fala de si e de seus reais sentimentos. No plano amoroso, por exemplo, quase sempre é um pastor que confessa o seu amor por uma pastora e a convida para aproveitar a vida junto à natureza. Porém, ao se lerem vários poemas, de poetas árcades diferentes, tem-se a impressão de que se trata sempre de um  mesmo homem, de uma mesma mulher e de um mesmo tipo de amor. Não há variações emocionais. Isso ocorre devido ao convencionalismo amoroso, que impede a livre expressão dos sentimentos. O que mais importava ao poeta árcade era seguir a convenção, fazer poemas de amor como faziam os poetas clássicos, e não expressar os sentimentos. A mulher é vista como um ser superior, inalcançável e imaterial.
Carpe diem: o desejo de aproveitar o dia e a vida enquanto é possível, esta idéia  é retomada pelos árcades e faz parte do convite amoroso.

- O ARCADISMO EM PORTUGAL

Para os portugueses, o século XVIII iniciou-se com um processo de modernização, através dos planos econômico, político, administrativo, educacional e cultural. A produção literária foi ampla e variada, incentivada principalmente pelas academias literárias árcades. A principal expressão literária desse período, Manuel Maria du Bocage, foi um dos maiores poetas portugueses de todos os tempos,  Nas primeiras décadas desse século, chegaram a Portugal as idéias iluministas, que entusiasmaram intelectuais, artistas e até mesmo o rei D. João V e seu sucessor D.José I, que desejavam modernizar o país.
Esse projeto deveria, ainda, satisfazer os interesses da burguesia mercantil e colonial, equiparando Portugal novamente às grandes nações européias. Com amplos poderes, e, na condição de ministro, o Marquês, foi indicado a liderar essas idéias.
Com formação estrangeira, o Pe. Luis Antônio Verney, mudou significativamente o cenário científico e artístico português, usando projeto de reforma pedagógica. Suas idéias expostas na obra: Verdadeiro método de estudar (1764), em que o escritor, atacava a orientação que os jesuítas davam ao país. Criticava a arte barroca e seus adeptos, como o Pe. Vieira.Nem mesmo Camões escapou das críticas, que viam nas antíteses camonianas, traços da estética barroca.
Essas críticas originaram um amplo debate sobre a necessidade de renovar a cultura portuguesa. Como decorrência desse período de agitação cultural, foi fundada a Arcádia Lusitana, em 1756, considerada o marco introdutório do Arcadismo em Portugal.

As academias literárias

As academias literárias eram agremiações que tinham por objetivo promover o debate permanente sobre a criação artística, avaliar criticamente a produção de seus filiados e facilitar a publicação de suas obras.
Portugal contou com duas importantes academias árcades: a Arcádia Lusitana, que efetivamente deu início ao movimento árcade em Portugal, e a Nova Arcádia (1790), que contou com o maior poeta português do século XVIII: Manuel Maria Barbosa du Bocage.
O gênero literário predominante durante o Arcadismo português foi a poesia. 
Durante o século XVIII, dos escritores portugueses que mais se destacaram , um merece atenção especial:

MANUEL MARIA BARBOSA DU BOCAGE: (Elmano Sadino)
O poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage, também conhecido com o pseudônimo árcade de Elmano Sadino ( Elmano é um anagrama de Manuel e Sadino é relativo ao rio Sado, que corta a cidade de Setúbal, onde nasceu em 15 de setembro de 1765). Além das inúmeras experiências amorosas, ele viveu aventuras nas colônias portuguesas do Oriente como na Índia (Goa) e na China (Macau), teve quase o mesmo caminho que de Camões. Como ele, Bocage também se incorporou em companhias militares, lutou na guerra, naufragou, amou muitas mulheres e sofreu com elas, foi preso e morreu na miséria.
Foi na lírica, em especial nos sonetos, que Bocage atingiu o ponto alto de sua obra, embora também tenha se destacado como poeta satírico e erótico.
Bocage é considerado o melhor escritor português do século XVIII e, ao lado de Camões e de Antero de Quental, um dos três maiores sonetistas de toda a literatura portuguesa. Isso ocorreu porque sua obra traduz o momento transitório que viveu (1765-1805), ou seja, um período marcado por mudanças profundas, como a Revolução Francesa (1789) e o florescimento do Romantismo. Assim, a obra de Bocage, em sua totalidade, não é árcade nem romântica: é uma obra de transição, que apresenta simultaneamente aspectos dos dois movimentos literários.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

PROJETO DE PESQUISA




DEFINIÇÃO

Um projeto de pesquisa é um documento que apresenta uma proposta da pesquisa a ser realizada. Visa responder a algumas questões que serão norteadoras para a investigação, tais como: qual o assunto central da pesquisa? Por que essa pesquisa é importante? Que material será lido? Quanto tempo levará? Haverá algum custo financeiro? Quais os métodos para coleta e análise dos dados? Outras questões poderão ser pensadas, conforme o objetivo da pesquisa que se pretende realizar.

DICA
A pesquisa engloba três fases: planejamento, execução e divulgação dos resultados. A elaboração do projeto é a primeira fase, isto é, o planejamento.

O projeto tem duas funções. Uma delas é ser um documento para avaliação institucional – seja feita por um professor orientador, comitês ou colegiados acadêmicos, ou por órgãos de fomento à pesquisa. Outra função é servir de apoio ao pesquisador durante a fase da execução. O projeto poderá ser ajustado sempre que necessário, de acordo com a operacionalização da pesquisa.

ESTRUTURA

A estrutura de um projeto de pesquisa é constituída de elementos externos, pré-textuais, textuais e pós-textuais, cada qual com seus subelementos, como mostra o quadro que segue.

DICA
Não há rigidez na ordem de apresentação dos elementos da parte textual, pois isso depende da área da pesquisa, bem como do estilo redacional do pesquisador. Também, a escolha de quais elementos devem compor o texto do projeto vai resultar dos objetivos da pesquisa, de acordo com as exigências da área de estudo e dos propósitos do pesquisador.


QUADRO 3 – ELEMENTOS DOS PROJETOS DE PESQUISA

Externos
Capa (opcional)
Pré-textuais
Folha de rosto
Lista de ilustrações (opcional)
Lista de tabelas (opcional)
Lista de abreviaturas e siglas (opcional)
Lista de símbolos (opcional)
Sumário
Textuais
Tema
Problema
Hipótese(s)
Objetivo(s)
Justificativa(s)
Referencial teórico
Metodologia
Recursos
Cronograma
Pós-textuais
Referências
Glossário (opcional)
Apêndice(s) (opcional)
Anexo(s) (opcional)
Índice (opcional)



DICA
É importante que o projeto seja enxuto, isto é, que os elementos opcionais sejam usados apenas se necessários. Saiba que uma das características do projeto é ser objetivo: vá direto ao assunto, sem rodeios e minúcias desnecessárias!



FORMATAÇÃO

A formatação do projeto de pesquisa – em termos de papel, letra, espaçamentos, margens, paginação, títulos e outros tópicos do formato para apresentação gráfica – segue as normas propostas no capítulo FORMATAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS E CIENTÍFICOS, deste livro:

Capa: Elemento opcional.
Folha de rosto: É a folha que contém os elementos essenciais à identificação do projeto de pesquisa. Elemento obrigatório. 
Lista de ilustrações: é elaborada de acordo com a ordem das ilustrações apresentadas no projeto de pesquisa, acompanhada do respectivo número da página. Elemento condicionado à necessidade de cada trabalho.
Lista de tabelas: é elaborada de acordo com a ordem das tabelas apresentadas no projeto de pesquisa, com cada item designado por seu nome específico, acompanhado do respectivo número da página. Elemento condicionado à necessidade de cada trabalho.
Lista de abreviaturas e siglas: consiste na relação alfabética das abreviaturas e siglas utilizadas no projeto de pesquisa, seguidas das palavras ou expressões correspondentes grafadas por extenso. Elemento condicionado à necessidade de cada trabalho.
Lista de símbolos: é elaborada de acordo com a ordem dos símbolos apresentados no texto, com o respectivo significado. Elemento condicionado à necessidade de cada trabalho.
Sumário: Enumeração das divisões, seções e outras partes do projeto de pesquisa, na mesma ordem e grafia em que o conteúdo aparece.Elemento obrigatório.
Tema: Consiste em uma proposição que se pretende pesquisar, desenvolver ou provar. O tema estabelece os limites ou as restrições para a abrangência da pesquisa. Portanto, informa claramente o foco – o objeto – do trabalho.

DICA
Não confunda o seu tema com o título do projeto, que é o nome dado ao texto. Apesar disso, no trabalho técnico, o tema pode ser utilizado como título.

Problema: A redação do problema deve ser feita em forma de pergunta. A busca das respostas é o processo de pesquisa e gera o trabalho a que se propõe tanto o Trabalho de Conclusão de Curso, o TCC, quanto a tese de doutorado ou outro qualquer. Assim, o problema é a questão norteadora da investigação científica.
Hipótese: É uma resposta provável, suposta e provisória ao problema formulado. A hipótese se apresenta na forma de um enunciado afirmativo, que é elaborado antes do aprofundamento dos estudos a serem realizados pela pesquisa. Essas afirmações serão testadas no decorrer da pesquisa, mediante a evidência dos dados empíricos (dados da realidade) ou da reflexão teórica. Ao final da pesquisa, as hipóteses serão sustentadas ou negadas.
Objetivos: Definidos a partir do problema proposto, representam a operacionalização da pesquisa: relatam o que se pretende alcançar com a pesquisa. A redação dos objetivos é iniciada com verbos no infinitivo:
   • Desenvolver (um produto/ uma técnica/ uma metodologia/ uma métrica...)
   • Projetar (um aparelho/ um dispositivo...)
   • Discutir (uma teoria específica/ um método famoso/ o pensamento de um autor...)
   • Comparar (autores/ métodos/ teorias...)
   • Caracterizar, Analisar, Interpretar, Propor, Identificar, Definir, Avaliar, entre outros.
Subdividem-se em geral (descreve o que se pretende com a pesquisa) e específicos (têm uma função mais concreta e prática, descrevendo os passos para a realização do objetivo geral, complementando-o).
Justificativa: Consiste em esclarecer o motivo pelo qual o tema foi escolhido, demonstrando a importância da realização da pesquisa. Para justificar uma pesquisa, então, pode-se expor:
   • O estágio de desenvolvimento dos conhecimentos referentes ao tema, expondo as limitações e lacunas sobre as teorias ou as práticas profissionais existentes e os aperfeiçoamentos ainda necessários para os quais a pesquisa buscará contribuir;
   • A aplicabilidade da pesquisa: a utilidade e a novidade vantajosa para simplificar uma rotina, economizar tempo ou dinheiro, satisfazer às necessidades humanas em eficiência, confiabilidade, rapidez, segurança e outros, em campos como meio-ambiente, saúde, tecnologia, ciência e outras;
   • A inovação ou originalidade da pesquisa: a exposição de algo inusitado, que não foi ainda imaginado, dito ou feito no campo científico;
   • A relevância social da pesquisa: a contribuição do ponto de vista político, econômico, histórico, cultural ou outros, para a humanidade ou para determinados grupos ou comunidades.
Referencial teórico: Consiste na apresentação de teorias e seus teóricos aos quais a pesquisa se reportará. Isto é, explicita as linhas teóricas que serão seguidas como referência à pesquisa. O Referencial Teórico é um espaço no projeto de pesquisa que poderá apresentar diferentes agrupamentos de informações, podendo estar desmembrado em subpartes, tais como as teorias de base, uma revisão de literatura, alguns trabalhos relacionados, dentre outros.
Teorias de base são as teorias – ou a teoria – usadas como orientação para o estudo: a expressão de um molde teórico e sua respectiva conceituação, que se aplica ao tema e seja usado para a análise e correlação das informações observadas e registradas na investigação, configurando-se no pensamento que fundamenta a pesquisa.
Revisão de literatura, que é a expressão das principais conclusões e resultados que outros pesquisadores obtiveram sobre o tema escolhido, mostrando como se corroboram, se confirmam, e como divergem e discordam entre si. Esse levantamento do estado atual de conhecimento do tema – também chamado de “estado da arte” – é fundamental para que o esforço do trabalho de pesquisa não resulte apenas em conhecimentos que já haviam sido alcançados por outros pesquisadores, tecnologias já desenvolvidas e informações já disponibilizadas pela Ciência.

ALERTA
A pesquisa científica busca produzir conhecimentos novos; portanto, não faz sentido que o projeto proponha a “reinvenção da roda”. Por isso, é sempre necessária a revisão da literatura.

Trabalhos relacionados são aquelas pesquisas que foram desenvolvidas com maior proximidade ao que se pretende fazer, não apenas pela similaridade do tema e/ou dos modelos teóricos, mas, também pela metodologia escolhida. Deve apresentar os autores, um descritivo de suas pesquisas e como estas se relacionam com o trabalho que se pretende realizar.
Dica:
Caso haja dúvida em saber quantas fontes de pesquisa são suficientes para compor o referencial teórico do seu projeto de pesquisa, saiba que dependerá do tema e dos objetivos da pesquisa. Consulte seu orientador ou professor.

DICA
Caso haja dúvida em saber quantas fontes de pesquisa são suficientes para compor o referencial teórico do seu projeto de pesquisa, saiba que dependerá do tema e dos objetivos da pesquisa. Consulte seu orientador ou professor.

Metodologia: Consiste em detalhar a operacionalização da pesquisa, informando como, onde e com quê o estudo será conduzido. O elemento “Metodologia” pode informar, por exemplo:
   • o tipo de pesquisa e os passos para a sua execução;
   • a seleção da equipe técnica, se houver, e dos materiais necessários;
   • as intenções referentes à escolha dos métodos, das técnicas e dos instrumentos de coleta de dados (entrevista, formulário, observação, testes ou outros);
   • os locais da pesquisa de campo;
   • a seleção de amostras;
   • a forma de dispor os dados, isto é, a tabulação;
   • a forma e os passos para análise e interpretação das informações obtidas;
   • o tipo de documento que resultará da pesquisa (monografia, artigo, relatório técnico, ou outro).
Recursos: Consiste em listar os auxílios financeiros, materiais e humanos que serão necessários para a realização da pesquisa: equipamentos, insumos, materiais de escritório ou de laboratório, valores para transporte, hospedagem, alimentação, deslocamento, aluguéis e remuneração de funcionários, bem como o pessoal alocado para funções específicas do trabalho que se pretende realizar.

DICA
Quando a listagem dos recursos especifica o custo em dinheiro, ela é chamada de “Orçamento”.

Cronograma: Especifica o tempo que será dispensado para a pesquisa, planejado em cada uma das etapas. Sua estrutura pode ser apresentada em meses ou semanas, conforme os requisitos da instituição (tempo mínimo exigido e máximo permitido) e as etapas variam de acordo com as diferentes áreas do saber.

QUADRO 4 – EXEMPLO DE FORMATAÇÃO PARA O CRONOGRAMA

FASES DO ESTUDO
DURAÇÃO EM MESES
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
Apresentação do Projeto de Pesquisa






Levantamento bibliográfico/ teórico






Coleta de dados em campo






Tabulação dos dados e análise dos resultados






Redação e formatação do documento






Revisão e correções finais






Apresentação da pesquisa à comunidade








NOTA: As fases de estudo listadas nesse exemplo são meramente ilustrativas e generalizadas. É necessário identificar as fases conforme a área do tema, os objetivos da pesquisa e as exigências institucionais.

Referências: é uma listagem das fontes pesquisadas e utilizadas no texto do projeto de pesquisa, com a indicação dos dados necessários para sua identificação individual, como o autor, o título, o ano e outros. As referências devem ser listadas em ordem alfabética única de autor(es).
Apêndice(s): São materiais adicionais elaborados pelo autor, que servem para complementar e esclarecer o texto do projeto. Conforme a NBR 6022, os apêndices “são identificados por letras maiúsculas consecutivas, travessão e pelos respectivos títulos”. É um elemento condicionado à necessidade de cada trabalho.
Anexo(s): São materiais adicionais não elaborados pelo autor, que servem para complementar e esclarecer o texto do projeto. São anexos também os materiais do próprio autor, porém não realizados especificamente para o projeto atual. É um elemento condicionado à necessidade de cada trabalho.
Índice: Relação de palavras, frases ou título, ordenada alfabeticamente, que localiza e remete para as informações contidas em um texto. É um elemento condicionado à necessidade de cada trabalho. 

http://www.utp.br/normastecnicas/NT_online_2012/modalidades3.html