segunda-feira, 15 de julho de 2013

TEXTO: A VIDA SEM CELULAR




A VIDA SEM CELULAR

O inevitável aconteceu: perdi meu celular. Estava no bolso da calça. Voltei do Rio de Janeiro, peguei um táxi no aeroporto. Deve ter caído no banco e não percebi. Tentei ligar para o meu próprio número. Deu caixa postal. Provavelmente eu o desliguei no embarque e esqueci de ativá-lo novamente. Meu quarto parece uma trincheira de guerra de tanto procurá-lo.
Agora me rendo: sou um homem sem celular. O primeiro sentimento é de pânico. Como vou falar com meus amigos? Como vão me encontrar? Estou desconectado do mundo. Nunca botei minha agenda em um programa de computador, para simplesmente recarregá-la em um novo aparelho. Será árduo garimpar os números da família, amigos, contatos profissionais. E se alguém me ligar com um assunto importante? A insegurança é total. Reflito. Podem me achar pelo telefone fixo. Meus amigos me encontrarão, pois são meus amigos. Eu os buscarei, é óbvio. Então por que tanto terror?
Há alguns anos - nem tantos assim – ninguém tinha celular. A implantação demorou por aqui, em relação a outros países. E a vida seguia. Se alguém precisasse falar comigo, deixava recado. Depois eu chamava de volta. Se estivesse aguardando um trabalho, por exemplo, eu ficava esperto. Ligava perguntando se havia novidades.
Muitas coisas demoravam para acontecer. Mas as pessoas contavam com essa demora. Não era realmente ruim. Saía tranquilo, sem o risco de que me encontrassem a qualquer momento, por qualquer bobagem.
A maior parte das pessoas vê urgência onde absolutamente não há. Ligam afobadas para fazer uma pergunta qualquer. Se não chamo de volta, até se ofendem.
— Eu estava no cinema, depois fui jantar, bater papo.
— É... Mas podia ter ligado!
Como dizer que podia, mas não queria?
Vejo motoristas de táxi tentando se desvencilhar de um telefonema.
— Agora não posso falar, estou dirigindo.
— Só mais uma coisinha...
Fico apavorado no banco enquanto ele faz curvas e curvas, uma única mão no volante. Muita gente não consegue desligar mesmo quando se explica ser impossível falar. Dá um nervoso!
A maioria dos chefes sente-se no direito de ligar para o subordinado a qualquer hora. Noites, fins de semana, tudo submergiu numa contínua atividade profissional. No relacionamento pessoal ocorre o mesmo.
— Onde você está? Estou ouvindo uma farra aí atrás.
— Vendo televisão! É um comercial de cerveja!
Um amigo se recusa a ter celular.
— Fico mais livre.
Às vezes um colega de trabalho reclama:
— Precisava falar com você, mas não te achei.
— Não era para achar mesmo.
Há quem desfrute o melhor. Conheço uma representante de vendas que trabalha na praia durante o verão. Enquanto torra ao sol, compra, vende, negocia. Mas, às vezes, quando está para fechar o negócio mais importante do mês, o aparelho fica fora de área. Ela quase enlouquece!
Pois é. O celular costuma ficar fora de área nos momentos mais terríveis. Parece de propósito! Como em um recente acidente automobilístico que me aconteceu. Eu estava bem, mas precisava falar com a seguradora. O carro em uma rua movimentada. E o celular mudo! Quase pirei! E quando descarrega no melhor de um papo, ou, pior, no meio da briga, dando a impressão de que desliguei na cara?
Na minha infância, não tinha nem telefone em casa. Agora não suporto a ideia de passar um dia desconectado. É incrível como o mundo moderno cria necessidades. Viver conectado virou vício. Talvez o dia a dia fosse mais calmo sem celular. Mas vou correndo comprar um novo!
(CARRASCO, Walcyr. A vida sem celular. Veja São Paulo, São Paulo, n.2107)

Texto: TORPEDOS - Moacyr Scliar




TORPEDOS - Moacyr Scliar

Apesar do fracasso dos quatro vestibulandos que haviam tentado fraudar a prova mediante mensagens pelo celular, ela decidiu fazer a mesma coisa. Em primeiro lugar, porque morava numa cidade muito menor que o Rio, na qual as medidas de segurança não eram tão rigorosas. Depois, não recorreria a quadrilha nenhuma, coisa que, segundo imaginava, tornava a operação vulnerável. Em terceiro lugar, não tinha outra opção: não sabia quase nada, e era certo que seria reprovada. Por último, havia uma coincidência favorável: estava com o antebraço esquerdo engessado. Nada preocupante, e na verdade ela até poderia ter tirado o gesso, mas não o fizera e agora contava com um ótimo esconderijo para o celular. Quem mandaria o gabarito? O namorado, claro. Rapaz inteligente (já estava cursando a faculdade), ele só teria de perguntar as questões para alguém que tivesse terminado a prova e enviar o gabarito por torpedo. Quando ela fez a proposta ao rapaz, ele pareceu-lhe um tanto relutante, incomodado mesmo. E no dia do vestibular ela descobriu por quê. Quarenta minutos depois de iniciada a prova, ela recebeu o tão esperado torpedo. Para sua surpresa, não continha o gabarito, e sim uma mensagem: "Sinto muito, mas não posso continuar namorando uma pessoa tão desonesta. Considere terminada a nossa relação.

PS: boa sorte no vestibular". Com o que ela foi obrigada a concluir: tão importante quanto o torpedo é aquele que dispara o torpedo.

domingo, 14 de julho de 2013

REDAÇÃO - ATIVIDADE: PRODUZINDO O APÓLOGO



DISCIPLINA: REDAÇÃO       PROFESSORA: MARCELINA
ASSUNTO: APÓLOGO

ATIVIDADE: PRODUZINDO O APÓLOGO

ROTEIRO:

1. Escreva um apólogo que tenha por personagens dois seres inanimados, como, por exemplo:

  • Um lápis e uma borracha,
  • Um giz e um apagador,
  • Um chinelo velho e um sapato novo,
  • Uma carta e um e-mail,
  • Ou outro que quiser.


2. Por meio de um diálogo entre as personagens, mostre ações delas que, no final, ilustrem uma lição de sabedoria ou ética.

3. A linguagem empregada deve estar de acordo com a variedade padrão da língua.

4. Faça um rascunho e só passe seu texto a limpo depois de realizar uma revisão cuidadosa, seguindo as orientações do AVALIE SEU APÓLOGO.

5. Refaça o texto, se necessário. Depois, ilustre-o e publique-o na página do seu portfólio.

AVALIE SEU APÓLOGO

1. Releia seu apólogo, verificando:
Ø  se ele conta uma história por meio da qual é transmitida uma lição de sabedoria ou ética.

2. Observe:
Ø  se a variedade linguística empregada é a padrão,
Ø  se o título está adequado à história.

REDAÇÃO - ATIVIDADE: PRODUZINDO A FÁBULA



DISCIPLINA: REDAÇÃO       PROFESSORA: MARCELINA
ASSUNTO: FÁBULA

ATIVIDADE: PRODUZINDO A FÁBULA

ROTEIRO:
1.    Escola um dos provérbios da página 71 do livro e invente uma fábula em que ele possa ser utilizado como moral da história. Nessa fábula, as personagens deverão ser dois animais.

2.    Ao escrever seu texto, siga as orientações dadas abaixo:
Ø  Caracterize as personagens.
Ø  Lembre-se de que a fábula é uma narrativa curta.
Ø  Se quiser, escreva sua narrativa em forma de diálogo.
Ø  A linguagem empregada deve estar de acordo com a variedade padrão da língua.
Ø  Procure iniciar seu texto de forma direta, isto é, com as personagens em plena ação.
Ø  Lembre-se de que sua história deve transmitir um ensinamento.
Ø  No final, escreva a moral da história e um título à sua fábula.  

3.    Faça um rascunho e só passe seu texto a limpo depois de realizar uma revisão cuidadosa, seguindo as orientações do AVALIE SUA FÁBULA. 

4.    Refaça o texto, se necessário. Depois, ilustre-o e publique-o na página do seu portfólio.

AVALIE SUA FÁBULA

1. Releia sua fábula, verificando:
Ø  Se ela conta uma história que transmite um ensinamento,
Ø  Se há, no final, uma moral.

2. Observe:
Ø  Se há diálogos,
Ø  Se a variedade linguística empregada é a padrão,
Ø  Se o título está adequado à história.