quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

POR QUE SOU ASSIM?


Sou pobre. Ninguém me vê. Sou feio e despercebido, sou um “mendigo”.
Os ricos passam naqueles carrões com motorista e tudo, e nem liga para mim que estou aqui fora, precisando da ajuda de alguém, precisando de um emprego. Mas, fazer o quê?...
Ninguém quer empregar um mendigo, às vezes quando me veem, têm até medo, acham que vou roubar ou transmitir alguma doença maligna. Sou assim, não tenho vez na vida. Algumas pessoas acham que sou esmolé porque quero, porque tenho preguiça de trabalhar, acham que eu não conheço a realidade. No entanto, na verdade, são eles que não conhecem. Se conhecessem, tentariam ajudar aos que necessitam.
Se todos fossem socialmente iguais, não haveria isso, todos seriam, igualmente, tratados sem discriminação.

Eu, que sou excluído por todos, sofro muito por isso e acho que deviam tomar alguma providência. E, às vezes, me questiono: Por que não tenho nada? Por que sou assim?
(Mônia Andrade Souza, 8ª C, 20/05/96)

O DESAPARECIMENTO


No início, estava chorando, mas agora estou sorrindo. Chorava por causa do meu filhinho de três anos que havia desaparecido. Tudo começou quando deixei meu filho observando os macaquinhos, enquanto eu ia comprar pipocas. Quando voltei ele não estava, corri e olhei tudo em volta, mas não o encontrava. O jardim Zoológico estava muito cheio e precisava de outra pessoa para me ajudar. Então, telefonei pro meu marido e expliquei tudo o que havia acontecido.
Estava muito nervosa, caminhava de um lado para o outro, na entrada do jardim Zoológico, à espera do meu marido. Depois de meia hora meu marido chegou e, juntamente com ele, a viatura da polícia.
Fomos correndo para o local. Abracei meu marido e comecei a chorar, sentia-me culpada. Alguns policiais estavam procurando meu filho no jardim inteiro e outros ficaram ao redor de mim e do meu marido.
Já se passavam duas horas, quando os policiais surgiram de lá sem meu filhinho. Eles falaram que procuraram por toda parte, mas não encontraram nenhum rostinho de três anos. Eu e meu marido estávamos muito preocupados e desanimados, saímos do meio daquela multidão tumultuante e logo avistamos um rapaz com meu filhinho no colo. Ele colocou meu filho no chão e meu filhinho veio correndo e deu um forte abraço em mim e no seu pai.
Convidamos o rapaz para um passeio e compartilhamos o momento de felicidade. No meu rosto, encontrava-se, estampado, um lindo sorriso.
(Denise Araújo Cunha, 8ª C, 1996)

O DESESPERO DE UMA MÃE


Estou muito feliz, agora, agarrada ao meu filho e ao meu marido. Antes, estava desesperada. Tudo começou quando eu e meu marido chegamos do trabalho e vimos uma multidão na frente da minha casa e vários policiais. O meu coração acelerou e eu pensei logo que tinha acontecido alguma coisa ao meu filho.
O Joel foi perguntar aos policias o que havia acontecido e eu fiquei parada, parecia que a minha vida tinha acabado, um pedaço de mim estava sendo arrancado e dentro de mim estava um vazio sem fim.
Quando vi o Joel se aproximar, muito triste, fazendo força pra não chorar para não me deixar mais preocupada, perguntei pra ele o que tinha acontecido com o Lucas. Ele me contou que houve um assalto, que os vizinhos ouviram gritos de uma criança e chamaram a polícia, mas, quando os policiais chegaram, os assaltantes já tinham fugido e levado  o Lucas como refém.
O meu marido me abraçou forte e me pediu calma, mas não era fácil ter calma naquele momento, porque o meu filho poderia estar sofrendo e eu não podia fazer nada.
A noite parecia não querer passar. Fiquei a noite toda acordada, pois eu não queria que o meu filho chegasse e me encontrasse dormindo. O Joel insistiu para eu tomar um calmante, mas não quis.
Estava desanimada, sem esperanças, quando o meu marido me falou que um policial telefonou e disse que os assaltantes foram presos e que ele estava levando o meu filho.
           Não demorou muito e o meu filho chegou. Chorei de alegria e abracei o Lucas e o meu marido com muito amor, pois eles são as pérolas mais preciosas da minha vida.  (Nelba Reis Souza, 16 /06 /96 )                                                

ONDE ESTÁ A JUSTIÇA?


Eu estou desesperada. Choro muito no ombro de meu marido e não me conformo.
Ontem, quando cheguei do trabalho, não encontrei minha filha em casa, como de costume.
Eu saí cedo para o trabalho junto com meu marido e deixei minha filha dormindo. Todos os dias, quando chego do trabalho, minha filha está em casa, pois ela estuda à tarde. Ontem ela não estava. Procurei por todos os lugares, perguntei, mas ninguém sabia onde ela estava. Fiquei angustiada e resolvi ir à delegacia.
Lá, o que me deixou mais magoada foi o tratamento que recebi. A delegacia estava cheia de pessoas estranhas e o homem, que dizia ser o delegado, estava gritando e pedindo silêncio.  Quando eu expliquei meu problema, ele falou que não tinha nada a ver. Meu marido insistiu e ele falou que eu era mais uma mãe histérica e que só recebia queixa depois de quarenta e oito horas.
Agora eu estou aqui humilhada, desesperada e nervosa. Quarenta e oito horas é muito tempo, muita coisa pode acontecer. Ninguém pode saber como uma mãe se sente ao ter a filha sequestrada. É muito pior do que ter um filho morto, porque morto não tem jeito, mas quando sabemos que está vivo e não sabemos onde encontrar, isso nos faz sofrer muito.
Como é, penso eu, que alguém pode ser tão desumano a ponto de roubar uma criança? Além disso, a justiça desse país não quer saber dos problemas do povo.
Minha filha... tem apenas dez anos, é indefesa demais. Eu só quero encontrá-la e abraçá-la. Mesmo com o rosto banhado de lágrimas e cheio de dor, vou lutar para ter minha filha de volta.
(Luzaine Alves Coelho, 8ª C , 03/06/96)

O MEDO DE SER ASSALTADA


Numa tarde maravilhosa resolvi fazer umas compras no Shopping. Aproveitei que minha tia tinha saído para ir dar uma olhadinha nas novidades.
Fui pro ponto de ônibus e esperei mais de dez minutos, mas finalmente ele chegou. Entrei e observei de cadeira em cadeira, pois não queria sentar com alguém estranho. Sentei com uma moça muito elegante e parecia ser muito simpática.
Ufa! Finalmente chegou. Desci do ônibus e esperei o sinal fechar para eu atravessar. O sinal estava demorando muito. Nossa! Apareceram três meninos e vieram caminhando em minha direção. Grudei minha bolsa e fiquei apavorada com os olhos arregalados.
Abriu o sinal, passei rapidinho. Cheguei no Shopping, entrei numa lojinha cheia de coisas bonitas. Saí e continuei andando. Vinham, de lá, dois homens bem fortes. Não parei, mas segui tremendo. Eles pararam e só fizeram falar: “Oi! Gatinha!”
Olhei pro relógio e já estava na hora de ir. A ida para casa foi pior, pois já estava um pouco escuro. No ponto de ônibus, eu ficava olhando para todo mundo e estava muito desconfiada.
Quando cheguei em casa, já eram 6:30 e minha tia ainda não havia chegado. Fiquei assistindo à televisão à espera da minha tia.
(Denise Araújo Cunha, 8ª C, 1996)